Relembre a trajetória de Gerson no Flamengo

A passagem de Gerson pelo Flamengo não sairá tão cedo da memória dos torcedores. Com seu jeito meio introspectivo, ele caiu nas graças da torcida, criando meio que sem querer um bordão que espalhou rapidamente nas arquibancadas Brasil a fora. O “vapo” ganhou uma proporção absurda, virou marca registrada, estampa de produtos, nome de loja e se tornou o símbolo da mudança de patamar do meia.

Assim que chegou no clube, o Coringa tratou de pulverizar a imagem de uma promessa que saiu do país muito cedo para ralar em equipes medianas no futebol europeu. Nesta quarta-feira (23), o volante conclui a sua passagem pelo rubro-negro como ídolo e como craque da seleção olímpica.

O duelo contra o Fortaleza, no Maracanã, às 19h, será o ato derradeiro antes que o camisa 8 se mude para o Olympique de Marseille, da França. A negociação que custou R$ 160 milhões colocou um ponto final na trajetória de dois anos e oito títulos conquistados, suficiente para que a transformação se tornasse visível. Antes do Flamengo, sua carreira estava no vácuo: não havia deslanchado depois de três temporadas na Itália.

Gerson, futuro camisa 8 do Brasil nos Jogos de Tóquio, viu suas redes sociais explodirem no rubro-negro. Saiu de 350 mil no Instagram para 2,8 milhões. No Twitter, sua conta saiu do zero em janeiro de 2019 para mais de 1 milhão. Sua marca de roupas, “Online”, criada ainda nos tempos da italiana Roma, surfa na onda. Este ano, Marcão, seu pai e empresário, aproveitou a popularidade do filho em Nova Iguaçu (RJ), sua cidade natal, e abriu a “Loja do Vapo”, um espaço com produtos com a marca do jogador. As informações são do site Gávea News e Jornal Extra.

O pedido para que fizesse o “vapo” aconteceu ainda nos tempos da Fiorentina. Mas o gol que propiciasse a comemoração não aconteceu na Itália — sorte porque provavelmente cairia no esquecimento. A marca registrada veio ao mundo no primeiro gol pelo Flamengo, no clássico contra o Botafogo, em julho de 2019. Ela virou símbolo da fase de ouro do rubro-negro ao lado do muque de Gabigol e do “outro patamar” de Bruno Henrique.

Desde que fechou a transferência para o Olympique de Marselha, Gerson se mostrou mais emotivo com a chegada da sua despedida do Flamengo. Não deixa de ser uma surpresa para pessoas próximas, acostumadas com a sobriedade do jogador, considerado meio ranzinza e desconfiado pelos colegas de elenco.

O adeus tem um peso duplo. Não é apenas o fim da passagem mais vitoriosa de sua carreira, até aqui. Gerson é torcedor do Flamengo, explicitou isso desde sua chegada, a despeito de ter sido revelado pelo Fluminense, e realizou o sonho de criança ao vestir a camisa rubro-negra.

No Flamengo, virou amigo principalmente de Filipe Luís e Rafinha, o primeiro pilar do time de 2019 a deixar o clube. Outro amigo que fez, companheiro no videogame, foi Reinier, que logo saiu do rubro-negro para tentar a carreira no exterior, assim como Gerson, que ainda aos 19 anos trocou o Fluminense pela Roma, da Itália.

A despedida tem gerado homenagens. Ontem, a Fla TV exibiu especial com o jogador. Gerson esteve no centro do bate-papo com companheiros do elenco e não segurou as lágrimas na resenha, que lembrou momentos marcantes da passagem de dois anos pelo rubro-negro. Uma torcida organizada preparou bandeira para o jogador, que estará no Maracanã na partida desta quarta-feira.

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